SOBRE O AUTOR
M. R. MONTEIRO
HÁ HISTÓRIAS QUEHistórias que curam.
UM POLICIAL CONSEGUE
DEIXAR NA DELEGACIA.
OUTRAS VOLTAM PARA
CASA COM ELE.
Vozes que transformam.

SOBRE O AUTOR
HÁ HISTÓRIAS QUEHistórias que curam.
UM POLICIAL CONSEGUE
DEIXAR NA DELEGACIA.
OUTRAS VOLTAM PARA
CASA COM ELE.
Por 26 anos, M. R. Monteiro viu, na Polícia Civil, histórias que muita gente preferiria acreditar que não existem.
Em uma cidade do Norte do Brasil, com milhões de habitantes, os plantões colocavam diante dele realidades capazes de assustar qualquer pessoa.
Mas havia algo que o atingia de maneira diferente.
As crianças.
Crianças que não conseguiam gritar por socorro.
Que não conseguiam confiar em quem deveriam confiar.
Que não encontravam proteção em quem deveria protegê-las.
Que não recebiam amor de quem deveria amá-las.
Se tantas histórias acontecem em uma única cidade, quantas crianças estarão vivendo a mesma dor, agora, em algum lugar do mundo?

Toda criança
merece ser ouvida.
Mesmo quando
o silêncio é tudo
o que ela tem.

Ao longo dos anos, ele ouviu muitas.
“Não pedi para nascer.”
“Por que eu nasci?”
Mas havia uma pergunta que doía de uma maneira diferente:
“Por que ele fez isso comigo?”
Separar o policial do homem foi ficando cada vez mais difícil. A experiência profissional, os anos de serviço, a passagem por grupo de elite e até uma vida empresarial bem-sucedida não eram suficientes para fazer desaparecer aquilo que havia sido visto e ouvido.
O plantão terminava. Algumas histórias, não.Escreveu em plantões.
Escreveu em noites sem dormir.
Escreveu depois de acordar de sonhos que o levavam novamente àquelas histórias.
Escreveu carregando na memória os gritos que algumas vítimas nunca conseguiam dar.
Mas havia uma decisão: não escrever apenas para contar histórias tristes. Era preciso procurar alguma coisa além da dor.
Uma possibilidade. Uma linguagem. Uma maneira de contribuir para que uma criança pudesse ser percebida mesmo quando não conseguisse dizer em voz alta o que estava acontecendo.

Escrever
também é
proteger.

Por diversas noites, M. R. Monteiro sonhou com uma criança do balcão de uma delegacia. Ela não dizia nada. Apenas desenhava uma borboleta. E o policial compreendia:
há um pedido de ajuda aqui.Em outros sonhos, uma criança no interior do Amazonas colocava o punho fechado sobre o próprio peito. Nenhuma palavra. Mas alguém reconhecia o gesto. Alguém parava. Alguém ouvia. Alguém protegia.
Os sonhos se repetiam. A borboleta continuava aparecendo. O gesto continuava aparecendo. Até que aquilo que existia durante a noite começou a encontrar lugar no papel.
Daqueles sonhos nasceram dois gestos que hoje fazem parte dessa jornada e do Protocolo Casulo. Eles ajudam uma criança a se comunicar mesmo quando não consegue falar.

EU PRECISO DE AJUDA.
EU ESTOU NO CASULO.EU TE ESCUTO.
EU TE VEJO.
O livro nasceu dessas inquietações. Não para reproduzir casos atendidos em uma delegacia. Não para transformar sofrimento em espetáculo.
Mas para contar uma história capaz de fazer uma pergunta muito maior:
E se uma criança que não consegue falar
ainda pudesse ser ouvida?
Da história vieram símbolos. Dos símbolos, uma linguagem.
Da linguagem, nasceu a ideia do Protocolo Casulo.
E aquilo que começou como um livro passou a buscar uma existência para além das páginas.

Porque
mesmo quando
tudo parece acabar,
existe uma borboleta
dentro de cada um,
pronta para voar.

Durante muito tempo, M. R. Monteiro sonhou com aquela criança. Com a borboleta. Com a mão sobre o peito. Com alguém finalmente percebendo.
Então chegou o dia em que escreveu a última palavra de As Borboletas e o Casulo.
E os sonhos pararam de pedir para apenas serem sonhados.
Mais crianças seguras.
Mais histórias possíveis.
Esse é o meu propósito.